segunda-feira, 4 de abril de 2016

Compromisso com a memória: livros sobre o golpe de 64

Hoje, há 52 anos, o presidente João Goulart (eleito à época, democraticamente, pelo Partido Trabalhista Brasileiro - PTB) foi deposto em golpe, marcando o início de uma ditadura militar que durou 21 anos. Em um estado exceção, direitos foram violados e opositores foram perseguidos. Até hoje, pessoas continuam desaparecidas.
Relembrar é necessário não só para que se conheça a história do país: também é um importante passo no combate às práticas herdadas de um período tenebroso.
Para entender o que aconteceu, e dar forma a uma memória coletiva, narrativas também se fazem necessárias. Durante e no período pós-regime militar, muitos escritores e escritoras relataram o contexto, a opressão e os medos que povoaram a época.
A Fepesp preparou uma lista de livros que trazem relatos marcados por ausências e conflitos. São narrativas que datam de 1967 a anos mais recentes, como é o caso de "K.", de Bernardo Kucinski. São 20 livros de autores nacionais e internacionais, contemporâneos e clássicos.
Compete também a nós, profissionais da educação, a postura de resistência e o compromisso com a memória. Que tal sugerir uma obra que ainda não esteja na lista abaixo? Deixe seu comentário!
- Década de 1960
Quarup, de Antonio Callado  (1967)
Sobre: considerado pela crítica uma das obras mais representativas do Brasil após a instauração do Regime Militar, "Quarup" retrata através seu protagonista Nando, o retrato de um país em conflito. A história começa no início do governo de Getúlio Vargas, na década de 1950, e vai até o golpe militar de 1964, com as primeiras perseguições e torturas da ditadura militar.

- Década de 1970
Sombras de reis barbudos, de José J. Veiga (1972)
Sobre: "Sombras de reis barbudos" é tido como alegoria do regime militar brasileiro, ao contar a história de uma cidade que recebe a Companhia Melhoramentos de Taitara, símbolo da modernidade. Aos poucos, porém, a empresa impõe uma rotina tirânica aos moradores.
Avalovara, de Osman Lins (1973)
Sobre: intercala oito temas narrativos que atravessam tempos e espaços distintos, de Amsterdã a Recife, de Recife à Roma Antiga, daí a São Paulo e vice-versa, numa narrativa de exercício à linguagem, em que a ditadura militar é tratada de forma implícita.
A festa, de Ivan Ângelo (1976)
Sobre: é um romance que mostra o nordestino Marcionílio, migrante da terra ressequida que foi enxotado numa estação de trem junto com inúmeros companheiros. Pelo retrato de uma festa, traz jovens, jornalistas e estudantes que lutaram por liberdade no pano de fundo de uma festa.
Em câmara lenta, de Renato Tapajós (1977)
Sobre: o autor relata ao mesmo tempo os desmandos da ditadura militar e a sua experiência da guerrilha. Trata-se do único caso de um escritor preso durante os anos de chumbo devido ao conteúdo de um livro. A obra é uma exemplo de resistência e grande caso de censura.
Militares no Poder, de Carlos Castello Branco (1977)
Sobre: mostra um recorte temporal de um momento nebuloso, pouco explorado e pouco conhecido deste período, que vai do golpe que depôs o presidente João Goulart à edição do ato institucional número 5, em 13 de dezembro de 1968.
O que é isso companheiro? , de Fernando Gabeira (1979)
Sobre: no final da década de 60, Fernando Gabeira envolveu-se na guerrilha urbana e tornou-se um dos homens mais procurados do país. Em 1979, ele busca compreender o sentido de suas experiências - a luta armada, a militância numa organização clandestina, a prisão, a tortura, o exílio - e elabora um retrato vertiginoso do Brasil dos anos 60 e 70.
- Década de 1980
A voz submersa, de Salim Miguel (1984)
Sobre: trata da história do secundarista Edson Luís Souto é morto a tiros por policiais militares durante uma manifestação estudantil, em 1968. O velório se tornou um ato e reuniu milhares de pessoas, entre artistas e militantes, nas ruas do Rio de Janeiro.
Brasil: Nunca Mais, “organizado” por Paulo Evaristo Arns, Henry Sobel e Jaime Wright (1985)
Sobre: um livro fundamental na historiografia do regime militar é “Brasil: Nunca Mais”, coordenado por d. Paulo Evaristo Arns, Henry Sobel e Jaime Wright. A obra relatou como atuava o aparelho repressivo e listou os principais torturadores dos porões da ditadura. Trata-se de uma obra rigorosa.
1964: A Conquista do Estado, de René Armand Dreifuss (1981)
Sobre: o uruguaio RenéDreifuss documenta bem a conexão entre militares e civis, o que prova que o golpe, além de militar, também foi civil. Documenta as ações do Ipes e do Ibad na articulação e financiamento da derrubada do presidente João Goulart.
Os carbonários, de Alfredo Sirkis (1980)
Sobre: vencedor do Prêmio Jabuti, a narrativa de Sirkis se refere a um período de 43 meses, entre outubro de 1967 e maio de 1971. Entre outros relatos, o livro trata do movimento estudantil de 1968 e seu esmagamento pelo regime militar, do seqüestro dos embaixadores da Alemanha e da Suíça e a libertação de 110 presos políticos e das façanhas e os dilemas de Carlos Lamarca.
Tropical sol da liberdade, de Ana Maria Machado (1988)
Sobre: construída entre passado e presente, memória e consequências, a narrativa nos leva ao período da Ditadura brasileira, enquanto a protagonista Maria Helena traz à tona as traumáticas vivências desses anos em uma tentativa de cura, para retomar sua caminhada ao futuro.
Retrato calado, de Luiz Roberto Salinas Fortes (1988)
Sobre: dividido em três partes, o livro relata a primeira prisão do autor em 1970, reproduz trechos de um diário de 1959, quando Salinas era estudante de direito, e narra outras duas detenções do escritor em 1974. Sem sentimentalismos ou defesas ideológicas, a obra é impactante por revelar, a partir da experiência de um indivíduo, a atmosfera de insegurança e violência desencadeada pela repressão aos opositores do regime militar durante o AI-5.
- Década de 1990
Amores exilados, de Godofredo de Oliveira Neto (1997)
Sobre: lançado originalmente com o título “Pedaço de Santo”, conta a história de dois brasileiros vindos de regiões tão diferentes como a Bahia de Lázaro e a Florianópolis de Fábio, forçados a deixar o país nos anos de chumbo do governo militar.

- Anos 2000
Coleção A Ditadura, de Elio Gaspari (2002)
Sobre: durante três décadas, o jornalista Elio Gaspari reuniu documentos inéditos e fez uma exaustiva pesquisa sobre o governo militar no Brasil. O resultado desse meticuloso trabalho gerou um conjunto de quatro volumes que compõem uma obra sobre a história recente do país.
Além do Golpe, de Carlos Fico (2004)
Sobre: Carlos Fico examina criticamente as principais obras sobre o golpe e a ditadura. Examina, com rigor, as virtudes e os problemas das obras de outros pesquisadores, como René Armand Dreifuss e Elio Gaspari (talvez seja a crítica mais consistente à pesquisa de Gaspari). Pesquisadores ganham um amplo e fundamental guia bibliográfico. No final do livro, Fico arrola documentos importantes, como a íntegra do AI-5.
O Fantasma de Buñuel, de Maria José Silveira (2004)
https://images-blogger-opensocial.googleusercontent.com/gadgets/proxy?url=http%3A%2F%2Ffepesp.org.br%2Fsites%2Fdefault%2Ffiles%2Fimagens%2Fimagem%25201.jpg&container=blogger&gadget=a&rewriteMime=image%2F*Sobre: cinco amigos que se conheceram na Universidade de Brasília em 1968 e eram apaixonados por cinema – especialmente o de Buñuel – e pela revolução. A história perpassa também pela construção de Brasília entre outros temas. 
Nem tudo é silêncio, de Sonia Regina Bischain (2010)
Sobre: romance que nos remete a um olhar esquecido das fases e faces dos anos 1960 e 1970. Onde a história de Ritinha, moradora da periferia e militante, que não poderia se exilar em Paris se cruza com a mãe que vê os sonhos dos filhos perdidos na  busca pela democracia e liberdade? 
K., de Bernardo Kucinski (2011)
Sobre: o romance narra a história de um pai em busca da filha que desapareceu, como tantos outros, durante a ditadura no Brasil. A narrativa do autor é feita de capítulos quase independentes, apresentando vários ângulos de uma mesma história.
Marighella — O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo, de Mário Magalhães (2012)
Sobre: um livro biográfico do militante comunista desde a juventude, deputado federal constituinte e fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura militar — a Ação Libertadora Nacional —, Carlos Marighella (1911-69). O estudo de Mário Magalhães levou nove anos para ser concluído.

Fonte: www.fepesp.org.br
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